NOSSA HISTÓRIA
A Escola Paulo Freire nasce da luta dos trabalhadores e trabalhadoras, adultos, jovens e crianças sob a organização do MST, de forma coletiva e organizada trava uma forte batalha por cidadania. A história da Escola “Paulo Freire” confunde com a história do assentamento “Antônio Conselheiro”, que nasceu a partir da necessidade que a luta por dignidade provocou, o embrião deste Assentamento, se formou as margens da BR 153, próximo à Nova Olímpia onde vários homens e mulheres se agruparam em centenas de barracos de lona preta, denunciando a concentração da terra, da renda e das riquezas da nação.
Denunciando a exploração do capital sobre o trabalho, os altos índices de pobrezas, desemprego e subemprego. Esses lutadores e lutadoras do povo se encorajaram frente a tudo que perderam na vida, resolveram reagir para não perder também a dignidade.
Após o parcelamento dos lotes, percebe-se a necessidade de ter mais de uma Escola no Assentamento devido às enormes distâncias e por abranger mais de um município.
É construída então, uma Escolinha de palha nas agrovilas 28, 32, e 33 para atender as crianças de 1ª a 4ª série, em regime multisseriado, onde os demais percorriam até oito quilômetros a pé e depois pegavam o transporte escolar que percorria mais trinta. Frente a essa realidade começa uma peregrinação à Prefeitura de Barra do Bugres a fim de reivindicar a construção de uma Escola decente para a comunidade. Após inúmeras audiências, os trabalhadores e trabalhadoras rurais, donos de seus próprios destinos e com disposição de lutar a fim de alcançar seus objetivos, realizam uma grande mobilização ocupando a Prefeitura.
Os educadores/as ministraram as aulas debaixo dos barracos de lona, enfrente a Prefeitura, o Prefeito cedeu, construindo uma Escola de madeira com minissaia de alvenaria e telha de amianto: com quatro salas de aulas, uma cozinha, dois banheiros com três box cada, uma dispensa.
No ano de 1999 começa o problema da água, por não ser possível furar poço simples nas imediações da Escola, assim foi garantida uma mangueira para puxar água do córrego a 500 metros, onde a comunidade contribuiu furando as valetas. Mas ocorre que quando aproxima o período das estiagens reduziu para trinta por cento do fluxo de água, impossibilitando essa alternativa.
Nesse sentido, nova luta é travada no segundo semestre de 2000, para garantir a perfuração de um poço artesiano, onde a problemática maior é que não havia energia, aumentando o custo, pela necessidade de adquirir também o grupo gerador. Foram oito dias de mobilização, sendo o retorno depois de garantida a conquista, voltando com o maquinário de perfuração à frente.
Em março desse mesmo ano, durante a Jornada Nacional das mulheres, em audiência com o então governador Dante de Oliveira, é garantida a construção da Escola com o objetivo de implantar o Ensino Médio, ficou negociada a proposta de firmar uma parceria, onde o governo forneceria os materiais, subsidiaria a mão-de-obra. O material foi entregue pelas metades e o subsidio não foi repassado, onde tivemos vários problemas e acabamos conseguindo construir parte da construção, devido a uma parceria com a Prefeitura de Barra do Bugres, que também era interessada por duas redes no mesmo espaço, e com número de alunos das series iniciais aumentando assim o município não teria gastos com construções. Nesse sentido a última etapa foi concluída em fevereiro desse ano pelo atual governo, mas que após trinta dias de conclusão da obra, começou a selar a cumeeira e apresentar rachadura nas vigas do refeitório, tudo devidamente arrumado vê-se terminando por ai mais uma etapa de lutas e vitórias dentro da comunidade e escola, ambas ligadas soberanamente pela educação.
Visando equacionar os problemas educacionais do Assentamento "Antônio Conselheiro" e oferecer uma educação específica aos jovens trabalhadores rurais, se pensa em uma Escola ciclada a partir do ano de 2009, de Ensino Médio do campo e Ensino Médio Integrado técnico em Agroecologia (EMI) que tenha como objetivo principal o ensino e aprendizagem.
A educação do campo somente deixará de ser fator que contribui para o fenômeno migratório quando estiver estruturada e organizada para oferecer um ensino de qualidade, capaz de um diálogo “cultural” com seus educandos e comunidade de referencia; quando puder capacitá-los a interpretar a sua realidade cultural e materiais e sobre elas agir com autonomia e criatividade, com respeito a seus saberes e fazeres; contribuindo para o desenvolvimento de uma economia voltada para o campo permeada pela agricultura familiar, promovendo a sustentabilidade.